Certo dia quando caminhava solitária
entre pensamentos tolos e ridículos, me sentei ao pé de uma árvore em flores,
que parecia ser uma cerejeira. Parecia, já que os meus conhecimentos não são de
um especialista em árvores.
O dia estava bonito, e eu estava
tentando me desligar das coisas mundanas para escrever algo. Sem sucesso.
Peguei meu celular, respirei fundo e escrevi a seguinte mensagem:
-
O que você sente por mim?
Só depois, consegui perceber que eu
tinha perdido todo o orgulho que eu possuía desde então. Sabia das consequências
da pergunta, mas sabia que a resposta seria o que mudaria para sempre minha
vida.
Nunca fui desses que choravam ao ganhar
um “não”. Na verdade, eu sempre me acostumei com esperanças de que as coisas
poderiam ser melhores na próxima tentativa.
Mas a pessoa, nem sabia do que eu estava
falando. Meu celular tocou e fez um “vrum-vrum”
que pareceu bem mais desesperado do que o normal. Era a resposta.
Pouco hesitei em abrir a mensagem, mas
algo dentro de mim ainda havia uma bola de borboletas no estômago. Dessas que a
gente fica quando alguma coisa vai acontecer.
Ela poderia ter dito sim, e acabado com o
suspense maldito que me perturbava.
Ela disse que não sabia, que muitas
coisas haviam acontecido. Quem ama não duvida. Eu engoli o orgulho e ela nem
fez isso por mim.
Jurei como não. Meus olhos encheram-se d’água
e queriam escorrer pelas faces. Não posso chorar. Não devo.
Pensei em nunca mais voltar atrás, em
nunca mais lembrar do passado, mas na volta, comprei uma árvore igualzinha
aquela do parque, para toda vez que eu a olhar, não esquecer que às vezes,
engolir o orgulho não é a melhor coisa, e sim, levantar a cabeça e continuar
andando para encontrar coisas melhores do que as anteriores.


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