Vem cá, vamos conversar




    Se até essa altura do isolamento social você ainda não surtou, você merece um prêmio! Na verdade, você tem passagem gratuita para o céu, não vai nem precisar passar por São Pedro.
    Existe um momento em que todos os dias são uma eterna tortura. Contar os dias sem saber quantos faltam se tornou parte de nosso dia-a-dia. Algo que não se vê conseguiu separar famílias, amigos, amores e botar o povo todo dentro de casa (ou quase todos). Vocês percebem o quão isso é significativo em nossas vidas?
    O fato de sabermos que tudo é passageiro, nos faz tornarmos mais apegados às pessoas, a carência de atenção faz com que queiramos ter alguém com quem contar. O valor dos nossos próximos se tornam ainda mais real. A frase “só damos valor quando perdemos” se tornou com um sentido ainda maior.
    Quando estávamos juntos, não percebemos coisas que eram especiais. A simples ida ao mercado que era simplesmente “um saco” para alguns agora faz falta. Os professores que “não fazem nada” se tornaram indispensáveis. A terapia que era “bobagem” se tornou salvadora da pátria para não ficarmos loucos.
    Vocês entendem o que quero dizer?
    Nós achamos que tudo aquilo que tínhamos, duraria para sempre. E por isso não a damos seu devido valor.
    Saber que essa situação é passageira, nos faz internalizar que tudo é necessário para nosso crescimento externo e interno. As nossas crenças de dias melhores, nos favorecem e nos fazem olhar o mundo de outra forma. Os problemas, os desafios, as limitações, não deixam simplesmente de existir em uma passe de mágica, mas se tornam mais leves.
    Nós não nascemos andando, não nascemos falando, nem pensando tanta bobagem - e o que não podemos em hipótese alguma é perdermos o ânimo, o espírito, e nossa capacidade de amar, de se superar e de viver.
    Agora vem cá novamente, me responde uma coisa:
    O que você teria dado mais valor se soubesse que era a última vez?

1 Comentarios

  1. Olá,
    Esse seu texto traduz muito bem os sentimentos desses últimos meses. Não sei dizer exatamente o que daria mais valor se soubesse que era a última vez, mas acredito que seria sair de casa despreocupada, sem medo de tocar nas coisas, sem a dificuldade de respirar por conta da máscara e sem me irritar com o local cheio. Querendo ou não, uma das grandes perdas foi da nossa liberdade.

    Beijo!
    www.amorpelaspaginas.com

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