Hoje acordei com mensagens de “Feliz Dia das Mulheres”. Algumas vieram cedo, outras ao longo do dia, outras ainda vieram em forma de imagem com flores cor-de-rosa, laços e frases bonitas. Eu agradeci, claro. A gente aprende a agradecer. Mas também fiquei pensando no quanto ser mulher nunca coube dentro de um cartão comemorativo.
Ser mulher é acordar cansada e ainda assim levantar. É resolver problemas antes mesmo do café. É ser forte quando ninguém está olhando e, às vezes, chorar no silêncio para depois voltar como se nada tivesse acontecido. Ser mulher é aprender desde cedo a se dividir em muitas — filha, amiga, profissional, mãe, professora, escritora, estudante — e ainda ouvir que deveria fazer mais.
Hoje dizem que é nosso dia. Mas a verdade é que ser mulher não cabe em um único dia do calendário. Está nos dias comuns, nos dias difíceis, nos dias em que duvidamos de nós mesmas e também nos dias em que descobrimos uma força que nem sabíamos que existia.
Ser mulher é carregar histórias. Algumas felizes, outras duras, muitas invisíveis. É aprender a se reconstruir quando o mundo insiste em nos diminuir. É descobrir que delicadeza não é fraqueza, e que firmeza não nos faz menos sensíveis.
Talvez o Dia das Mulheres não seja sobre flores, nem sobre parabéns. Talvez seja sobre lembrar que existimos para além dos papéis que nos dão. Que pensamos, criamos, ensinamos, escrevemos, lutamos, sonhamos. Que somos muitas em uma só, e ainda assim continuamos inteiras.
Hoje eu aceito as flores. Mas aceito, principalmente, a lembrança de que ser mulher é um exercício diário de coragem.
E coragem, essa sim, merece ser celebrada todos os dias.

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