Sarah e as corujas


Na rua onde moro, tem um prédio abandonado. Desde que eu moro aqui, ele sempre esteve lá, e é claro, que eu agradeço por isso. À noite, quando volto tarde do colégio, ouço as corujas gritarem de lá. Elas parecem não dormir e ficar gritando sem parar. Daí, eu me lembro de Sarah. Sarah foi minha vizinha por uns 5 anos, desde quando eu me mudei. Nós, brincávamos na rua até tarde e quando escurecia, íamos pra sua casa brincar mais. Graciele, irmã de Sarah, quase de minha idade, juntava-se também à nossas brincadeiras. E assim, ficávamos noites e noites, sempre com algo novo para o dia seguinte. Brincávamos de vendas, banco imobiliário, pique-pega, esconde-esconde e isso até minha avó me chamar de volta pra casa. Mas o que Sarah temia eram as corujas. A casa de Sarah dava de frente para esse prédio abandonado e lá, como disse, ficavam as corujas. O único problema era que quando as corujas começavam a gritar, Sarah ficava assustada com medo de que as corujas voassem para sua casa e a machucassem, coisa que eu sei que nunca aconteceria. Sarah começava a chorar, e às vezes eu ficava sem reação, sem saber o que fazer. Mas depois, ela dormia e eu voltava para minha casa, e sabia que no dia seguinte, tudo estaria normal. Hoje, 10 anos se passaram. Sarah já é uma moça, cheia de pretendentes e namoricos por ai. O mais engraçado, é que ainda nos falamos, e as vezes conversamos sobre as nossas brincadeiras antigamente, mas sem nunca tocar no assunto das corujas.  Sarah talvez nem se lembre. Mas eu a vi com um colar bem bonito e reluzente pendurado em seu pescoço. Mal tive uma surpresa, e depois soltei um sorriso lembrando o passado. Sarah realmente deixou tudo para trás. Era um colar com um pingente de coruja.

0 Comentarios