Na rua onde moro, tem um prédio abandonado. Desde que eu moro aqui,
ele sempre esteve lá, e é claro, que eu agradeço por isso. À noite,
quando volto tarde do colégio, ouço as corujas gritarem de lá. Elas
parecem não dormir e ficar gritando sem parar. Daí, eu me lembro de
Sarah. Sarah foi minha vizinha por uns 5 anos, desde quando eu me
mudei. Nós, brincávamos na rua até tarde e quando escurecia, íamos pra
sua casa brincar mais. Graciele, irmã de Sarah, quase de minha idade,
juntava-se também à nossas brincadeiras. E assim, ficávamos noites e
noites, sempre com algo novo para o dia seguinte. Brincávamos de vendas,
banco imobiliário, pique-pega, esconde-esconde e isso até minha avó me
chamar de volta pra casa. Mas o que Sarah temia eram as corujas. A
casa de Sarah dava de frente para esse prédio abandonado e lá, como
disse, ficavam as corujas. O único problema era que quando as corujas
começavam a gritar, Sarah ficava assustada com medo de que as corujas
voassem para sua casa e a machucassem, coisa que eu sei que nunca
aconteceria. Sarah começava a chorar, e às vezes eu ficava sem reação,
sem saber o que fazer. Mas depois, ela dormia e eu voltava para minha
casa, e sabia que no dia seguinte, tudo estaria normal. Hoje, 10 anos
se passaram. Sarah já é uma moça, cheia de pretendentes e namoricos por
ai. O mais engraçado, é que ainda nos falamos, e as vezes conversamos
sobre as nossas brincadeiras antigamente, mas sem nunca tocar no assunto
das corujas. Sarah talvez nem se lembre. Mas eu a vi com um colar bem
bonito e reluzente pendurado em seu pescoço. Mal tive uma surpresa, e
depois soltei um sorriso lembrando o passado. Sarah realmente deixou
tudo para trás. Era um colar com um pingente de coruja.
SOBRE MIM

Sou professora, pesquisadora, escritora e apaixonada por tecnologia. Atualmente curso mestrado na área de robótica e visão computacional, onde desenvolvo projetos envolvendo inteligência artificial, programação e sistemas autônomos. Além da vida acadêmica, também escrevo, fotografo e registro pensamentos sobre o cotidiano, porque acredito que ciência e sensibilidade podem caminhar juntas. Neste blog compartilho minha rotina entre aulas, pesquisas, projetos, livros, café e ideias que surgem no meio do caminho. Aqui você vai encontrar um pouco de tudo: tecnologia, vida real, estudos, escrita, fotografia e reflexões sobre aprender, ensinar e criar em um mundo cada vez mais digital.
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