A vida



Na última noite, enquanto eu tentava sem sucesso dormir, o teto do meu corpo se abriu e desconstruiu em perfeita sintonia, tijolo por tijolo até que meus olhos se enchessem de lágrimas. As paredes sufocavam minha garganta ao invés de aliviar a carga da vida que parece mais pesada a cada dia que se passa.

Se tem uma coisa que eu aprendi com a vida é que ela é canalha. Canalha como o moleque de lindos olhos castanhos que eu trombei na esquina de casa e não sai da minha cabeça. A vida é canalha porque muitas vezes nos dá uma rasteira a qual apesar de sabermos que é preciso levantar, tomar um café forte e erguer a cabeça, ela consegue te jogar no chão novamente.

A vida é como um filho da puta. Mas aquele filho da puta que você não vive sem. Que só de pensar arrepia o corpo e estremece a alma. Aquele filho da puta que te fez aprender a lição da pior forma possível, e apesar de ter tantas incertezas, hoje te faz sentir alívio. E ao invés de reclamar que as rosas estão cheias de espinhos, a gente fica feliz pelos espinhos terem rosas.

A filha da puta da vida é o maior espetáculo da terra. E nem todos os coadjuvantes irão notar a sua dor, nem todos irão te ajudar, nem todos serão bons para você como você foi para com eles, mas sempre haverá um alguém que tire o sentimento de insuficiência de dentro do seu coração. Quando a vida te joga no chão, você precisa aprender a se levantar. Mas nunca ninguém diz que depois de se levantar, você precisa andar sozinho de novo, como se não sentisse nenhuma dor.

Na verdade, somos todos capazes de andar pelo mundo sozinhos. Mas muitas vezes, a vida é melhor acompanhada.

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