SAIR DE CASA NÃO É ASSIM TÃO BOM




As primeiras noites são as mais difíceis. Parece tudo muito vazio, o coração aperta e o choro não sabe se fica ou se sai. Você vai se perguntar se fez a escolha certa e nesse momento você não vai ter certeza da resposta. Você vai sentir falta da sua mãe brigando por causa da roupa suja no chão do banheiro, da garrafa de água vazia na geladeira e por causa do tempo que você passa no celular. Você vai descobrir que cozinhar pode ser prazeroso, mas que comer bem exige tempo e tempo é valioso, então miojo pode ser uma boa opção. Vai chorar. Vai chorar muito. De saudades, de medo, de arrependimento. Sair de casa vai te fazer mais humano, mais maduro, mais medroso também. 

Você vai descobrir que papel higiênico nunca é demais e vai desejar não estar sozinho quando ele acabar e você já estiver sentado no trono. Os boletos passarão a fazer parte da sua rotina e não tô falando dos boletos de blusinhas. E falando em blusinhas, seu coração vai acelerar bem mais por jogos de panela do que por roupa. Você vai aprender a valorizar mais a vida, as coisas e as pessoas. Comida de mãe vai ser raro e você vai sentir muita falta. Nos dias difíceis você vai desejar um abraço e vai ter que se contentar com o travesseiro e uma música triste.

E então, em meio a crises de choro e de dúvidas, você vai amadurecer. Vai aprender a dizer não, a ser forte e justo consigo mesmo. Vai superar seus limites e descobrir que sempre dá pra ir mais longe. Você vai perceber que é capaz, e vai sentir orgulho disso. Vai apreciar sua própria companhia e perceber que a felicidade é feita de momentos que nós criamos. Vai brigar consigo mesmo em voz alta. Vai aprender com seus erros. Vai rir dos seus desastres. E vai se acostumar, depois de um tempo sofrido e necessário, a ser só.

E tudo vai ficar bem. Você vai se sair bem. E depois de todos os altos e baixos, você vai entender que nunca foi solidão, sempre foi liberdade. E vai preferir ela apesar de tudo. E só assim você vai ver que liberdade é cara porque não se compra, se conquista. E essa conquista é pra poucos.

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